Água
A água é um elemento que está em toda parte, dentro e fora de nós, no princípio de todas as coisas. Entretanto, ela não é o elemento melhor conhecido do Universo, mesmo sendo tão familiar e reconhecidamente um componente essencial da estrutura e do metabolismo de todos os seres vivos (REBOUÇAS, 2004). Conforme o conhecimento, a cultura, a religião, a mitologia, de grupos sociais em várias regiões do globo terrestre, a água simboliza a origem da vida, a fecundidade, a fertilidade, a transformação, a purificação, a força, a limpeza, elemento fundamental de sobrevivência e como recurso para diversificadas atividades humanas. Ela é considerada o ponto de partida para o surgimento da vida, ou seja, a origem e o veículo de toda vida, tanto no plano físico como no espiritual, “daí sua simbologia estar ligada à “Matrix” – mãe e ao Prana, o sopro vital nas alegorias tântricas” (2014). Essa noção de água como elemento do oceano das origens primordiais é praticamente universal. Os três temas que se encontram nas mais antigas tradições, formando variadas e coerentes combinações imaginárias e significações simbólicas da água são: fonte de vida, meio de purificação, centro de regenerescência, de acordo com Chevalier et al. (1997). Na narrativa do Grande Sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, é notória a grande importância do elemento água como suporte para o espaço ficcional da obra, emoldurando, balizando e revelando os caminhos percorridos por Riobaldo (narrador e personagem), dando sentido à sua complexa e conflituosa trajetória, suas travessias, desde menino e, especialmente, como jagunço, ao ziguezaguear pelos sertões dos Gerais. Ao longo da narrativa o elemento água está representado em diversas formas efetivamente existentes e, até mesmo, carregadas de simbologias, tais como: rios, ribeirões, córregos, riachos, brejos, lagoas, regos, buritizais (aludindo às veredas), poços, cachoeiras, corguinho, resfriado, marimbús, aguada, cacimba d‟água, bacia, neblina, chuva, lágrimas, suor, dentre outras.

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