Ascensão feminina em Dão-Lalalão Registros da Modernidade no Sertão Rosiano
O Presente trabalho foi uma tentativa de verificar na narrativa “Dão-Lalalão (O devente)”, de João Guimarães Rosa, mecanismos que caracterizam a ascensão feminina, representada por Doralda, e certo afrouxamento do poder masculino, representado por Soropita, e suas relações com o processo de modernização do sertão. Sustentamos a hipótese de que Guimarães Rosa zomba do poder masculino ao construir a personagem Soropita. Para tanto, partimos de um estudo crítico da novela “Dão-Lalalão”, presente no livro Noites do sertão. Os estudos críticos acerca de Doralda, em linhas gerais, dão ênfase ao erotismo que envolve essa personagem; também trabalhamos essa face erótica, porém inovamos ao investigar os artifícios femininos que nos permitem ler as relações de poder instituídas no sertão mineiro por meio da representação feminina e como essas estratégias modificam a vida social da personagem. Nesta pesquisa, de natureza crítico-bibliográfica, aplicamos o método hipotético-dedutivo, que se fundamentou em “Dão-Lalalão” e na fortuna crítica sobre a narrativa. Contamos ainda com autores que abordam o patriarcalismo e o coronelismo como Maria Isaura Pereira de Queiroz (1975); Alceu amoroso Lima (1983); Cristina Bruschini (1993); Sérgio Buarque de Holanda (1995); Gilberto Freyre (2002; 2006); Laurindo Mékie Pereira (2002); Cynara Silde Mesquita Veloso de Aguiar (2002); Michel Foucault (2000; 2005; 2010); Maria Cristina Vianna Kuntz (2008); Mary Del Priore (2011) e Hélen Cristina Pereira Rocha (2012). Para compreender o conceito de poder, estudamos Michel Foucault, com os livros Em defesa da sociedade (2000); Vigiar e Punir: história da violência nas prisões (1991); Microfísica do Poder (2005) e História da sexualidade (2010). Com este trabalho concluímos que os hábitos e costumes vivenciados por Doralda podem ser compreendidos como forma de ascensão social a partir das ilusões acerca do que é dado socialmente aos estereótipos femininos e que Guimarães Rosa ao delinear a personagem Soropita como aspirante a coronel, mas que introduz elementos de modernização no povoado do Ão, parodia essa figura masculina que marca importante período histórico-literário da recente história do sertão mineiro.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira; Literatura de Minas Gerais; Guimarães Rosa; coronelismo e patriarcalismo; poder; ascensão feminina.

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