De Linda a Rosalina as Faces do Poder em A Estória de Lélio e Lina
A investigação de personagens femininas nas narrativas rosianas é bastante vasta, mas restrita no que diz respeito aos modos de sua ascensão, o que torna pertinente a abordagem aqui realizada, já que se nota um sutil, mas constante movimento de empoderamento feminino no espaço sertanejo descrito por Guimarães Rosa. Essas mulheres ora metaforizam a entrada do poder estatal no sertão, modificando a estrutura patriarcal então vigente, ora atuam de forma especular ao coronel, uma vez que criam para si um núcleo detentor de poder similar, agindo como “disciplinadoras” num contexto em que o patriarcalismo perdia suas forças num sertão amplamente representativo do coronelismo no Brasil de 1930 e que abre espaço para outro no qual se observa um processo de modernização. Assim, neste trabalho, pretende-se esboçar de que forma mulheres como Sinhá Linda e Rosalina, personagens de A estória de Lélio e Lina (1976), mantém forte ressonância entre si e se relacionam com a tensão acima mencionada. Nesse sentido, a “mocinha de Paracatú”, Sinhá Linda, idealizada por Lélio, parece acomodar-se aos moldes patriarcais, mas de alguma forma prepara Lélio para a travessia que ele vivenciará, tendo em vista que ela se faz presente por meio das lembranças de Lélio durante toda a sua estada no Pinhém e serve ainda de mote para as aventuras amorosas do protagonista com a “mulata dos olhos verdes”, Jiní; com as “Tias”, Conceição e Tomázia; com Mariinha e por fim Lina, Rosalina, personagem cuja força na narrativa lhe permite romper com a histórica tradição de submissão feminina; é ainda essa personagem quem proporciona a Lélio o amadurecimento amoroso. O tema aqui proposto – gênero e poder – será estudado à luz de elementos da história, abordados por Maria Isaura Pereira de Queiroz, de estudos críticos, como os de Luiz Roncari e filosóficos, como os de Michel Foucault.

Palavras-Chave: Literatura de Minas Gerais; Gênero; Guimarães Rosa; Coronelismo.

 

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