Subverter e Controlar - Dos Modos de Dominação em A Estória de Lélio e Lina
A presente dissertação estudou a novela ―A Estória de Lélio e Lina‖, do autor mineiro João Guimarães Rosa, propondo uma análise do texto com o objetivo de definir os motivos e as consequências de uma suposta crise do poder coronelista no espaço sertanejo e ainda de que forma essa crise enseja a ascensão da mulher enquanto detentora de um poder subjetivo: a sexualidade. Fizemos um exame da sexualidade feminina como forma de poder que se instituiu no espaço outrora tipicamente coronelista e patriarcal de ―A estória de Lélio e Lina‖ e as consequências disso no transcurso da narrativa. Explicitamos duas imagens que se revelam antagônicas nesse contexto: a ‗casa patriarcal‘ e a ‗casa feminina‘, para que pudéssemos delinear o papel da mulher sertaneja no cenário em que se desenvolve a novela. Tomamos por base metodológica os estudos acerca do coronelismo no Brasil e o livro de Michel Foucault: História da sexualidade I – a vontade de saber, destacando os conceitos de Dispositivo de Aliança e de Dispositivo de Sexualidade, com o intuito de estabelecermos uma conexão entre esses dois instrumentais para discussão da hipótese aqui proposta. Por fim, explicitamos que enquanto o poder que advêm do sistema coronelista institui-se por mecanismos de coação para efetivar o assujeitamento dos indivíduos que fazem parte de sua composição; o poder que emana da das mulheres prima por estratégias mais sutis de se investir no controle social – o discurso – campo profícuo no qual atuam efetivamente as personagens femininas da trama.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira; Literatura de Minas Gerais; Guimarães Rosa; Poder; Sexualidade.

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